Marcelo Torrone – Lançamento do álbum “Som Tardio”

34º Oficina de Música de Curitiba - janeiro/2016.

Musica minimalista? Sim. Muito. Vanguarda clássica? Também. Experimentalismo? Certamente. As três influências mais fortes ajudam a entender, mas não resumem totalmente as composições de Marcelo Torrone.

Mais conhecido pelo trabalho com a banda Wandula, o pianista lança neste sábado (23) seu primeiro álbum solo Som Tardio no auditório Sesc Paço da Liberdade às 17h.

No show Torrone toca sozinho a maior parte das musicas com a participação de suas parceiras de banda Edith de Camargo e Ana Paula Cervellini.

A maior parte delas composta no piano Essenfelder que ganhou da avó Elvira Bittencourt e que acompanha Torrone desde os seis anos de idade. O instrumento hoje fica na sala de entrada da casa de chácara onde o músico vice na Colônia Acioli, no caminho do vinho em São José dos Pinhais.

Nas paredes além de quadros de artistas plásticos amigos, vários pôster e fotos de shows do Wandula, a banda criada por ele e por Cláudio Pimentel em 1998 e que já passou por várias formações.

“O meu trabalho solo é mais delicado por conta da instrumentação mínima. Só piano e algumas outras pequenas texturas. Cada nota é mais pensada, estudada. No Wandula, a música cresce com os vários temperos que a formam”, avalia Torrone, enquanto brinca com os cães na chácara.

O titulo do álbum gravado no estúdio Gramofone (com recursos do Mecenato Municipal) tem dois motivos. O primeiro é o fato de ter demorado a sair. Pianista desde os seis anos de idade e compositor desde 1993, Torrone diz que o álbum chega “um pouco atrasado porque na verdade eu fui dando tudo para o Wandula e me deixei um pouco de lado”, brinca.

E também por que o conjunto de quinze faixas funciona, segundo seu autor, “melhor no final da tarde, no crepúsculo”. “A minha intenção era ter um trabalho que mostrasse a minha cara como produtor de trilhas sonoras ao qual eu tenho me dedicado muito. É como um cartão de visitas, um autorretrato”, afirma.

Além dos projetos com as bandas Wandula e Claudio Pimentel e os Misantropos, Torrone tem escrito trilhas encomendadas para balés infantis, teatro e cinema. “Eu hoje prefiro criar que aparecer. Gosto de ser artista, mas não necessariamente de fazer performance, de buscar ser às vezes, leva cinco anos para um trabalho se desenvolver”, avalia.

Morar no campo tem influenciado o trabalho de Torrone. “Você contempla mais. Acompanhar o crescimento de uma planta acaba resolvendo muitas coisas na tua cabeça. Entende os movimentos do mundo, o por que das coisas. Na cidade a gente perde este contato”, filosofa.

E além do trabalho de musico e compositor, Torrone também administra uma pequena pousada dentro da propriedade que aluga pelo site Airbnb

O músico também tem um projeto gastronômico em que usa ingredientes e que ele mesmo planta para preparar um almoço especial ao ar livre.

Texto: Sandro Moser, Gazeta do Povo, 22 de janeiro de 2016
Fotos: Gilson Camargo

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